2 de maio de 2011

Não confunda os meios com os fins - por Fran Christy

 por Fran Christy  

O objetivo central de todo o meu trabalho é, através de ferramentas, mudanças comportamentais e mentais, ajudar meus leitores a atingir suas metas magnas. É bem provável que esse também seja o motivo que o faz se interessar por esses assuntos e ler meus artigos. Todo mundo quer chegar a algum lugar, conquistar alguma coisa, mudar, mas a simplicidade do assunto pára por aí.
A começar pelo fato de que a maioria das pessoas apenas sente que precisa mudar ou chegar a algum lugar, mas não tem idéia do que é ou onde precisa chegar. Ainda mais complicada do que a ignorância dos próprios objetivos é a confusão que se faz entre os fins e os meios. A maioria das pessoas considera como metas coisas que se caracterizam como meios e a confusão nesses casos é ainda maior.

Explicando:
objetivos reais que se caracterizam como fins envolvem você como ser humano em evolução, seu crescimento pessoal ou contribuições sólidas aos outros e/ou à sociedade. Todo o resto são meios para se alcançar esses objetivos ou simplesmente manter a vida. Muita gente considera como objetivo, por exemplo, abrir o negócio próprio. Uma empresa, porém, é apenas um meio para se alcançar outras coisas, jamais um fim! Por exemplo, um negócio proporciona dinheiro, liberdade, empregos, entre outras coisas, mas não deixa de ser um meio, uma ferramenta, uma fonte de recursos para que outros objetivos sejam possíveis.
Ao confundir meios com fins, você fica como uma barata tonta jogando um jogo que nunca acaba, sentindo um vazio cada vez maior, pois as metas alcançadas não provêm a satisfação, a completude que você esperava, justamente porque essas metas são apenas meios, pontes para alcançar outras coisas.
É claro que mesmo fins podem ser vistos como meios dentro de um ponto de vista mais complexo, porém, todos nós temos nossas limitações, tanto de tempo em vida, quanto de capacidade, compreensão e fôlego produtivo. Para cada um de nós, existem alguns fins determinados, metas que resumem nossos “próximos passos”. Essas metas não seriam meios em si, pois ao serem alcançadas, passamos para outros patamares, fechamos ciclos e começamos a olhar adiante para outros fins, os próximos objetivos a serem alcançados.
Esse “fim de ciclo” é que deve ser o critério para determinar se nossas metas são meios ou fins. Abaixo, cito alguns “meios” que são comumente confundidos com fins:
- Negócio próprio: Como discutimos, é apenas um meio, um meio de se sustentar na vida, de obter mais liberdade, de proporcionar empregos, etc.
- Escolaridade: É um meio de aumentar a própria erudição, discernimento, conhecimento, etc. A escolaridade jamais deve ter fim em si mesma. Ser PhD é não é fim de nada, apenas um título, e, no máximo, um meio de ter maior credibilidade acadêmica.
- Casamento: O objetivo magno dos românticos solteiros de plantão que sonham com o final feliz Hollywoodiano. Para os já casados, é óbvio que casamento não representa fim algum – talvez fim de uma fase na vida, mas não do ponto de vista evolutivo que estamos abordando aqui. Tampouco “encontrar um grande amor”, meta também comum, se caracteriza como fim, sendo apenas um meio para uma vida mais equilibrada e completa.
- Dinheiro: Os clichês e o conhecimento popular já se encarregam de dar ao dinheiro sua posição de meio, mas na prática, muita gente (no ciclo interminável de sobrevivência) corre atrás de dinheiro para sobreviver incessantemente, mesmo sem, conscientemente, dar tanta importância para ele.
Ainda podemos citar muitos outros exemplos de meios que são confundidos com fins como o sonho da casa própria, atingir o ápice da vida profissional, ter filhos, enfim, podemos ir longe.
Se os itens citados são os únicos objetivos que você tem, faça uma pausa para reflexão e comece a pensar no sentido de tudo isso. Se essas metas são meios para se atingir um fim, qual é esse fim que você está tentando buscar? Você está apenas robotizado tentando alcançar metas “normais” que a sociedade estabeleceu para você? Você está tentando suprir necessidades emocionais achando que quando alcançar isso ou aquilo você será feliz?
E aí, invariavelmente, vem a fatídica pergunta!

Mas se praticamente tudo o que as pessoas tentam alcançar na vida são meios, o que seriam os fins?

O que eu observo é que os fins geralmente estão ligados a mudanças íntimas e a contribuições que permanecerão além da sua vida. Um fim, por exemplo, pode ser superar uma dificuldade de personalidade que você tem desde criança e que te incomoda muito, te impede de viver a vida com mais intensidade e dar tudo de si naquilo que você faz. Outro fim pode ser aprender e desenvolver alguma habilidade ou talento que você considera importante. Em termos de contribuição, livros, filmes ou qualquer coisa positiva que sobreviverá a você e que permanecerá como fonte cultural ou de conhecimento dentro da sociedade em que você vive e que ao mesmo tempo acrescentará algo à sua evolução pessoal também pode ser um fim.
Eu, pessoalmente, não vejo sentido em dedicar tempo para fazer qualquer outra coisa que não se focar em um fim que tenha real significado. O foco nos meios deve ser sempre relacionado ao alcance do fim. A confusão dos meios com os fins é que causa a robotização da sociedade, tanta gente correndo de um lado pro outro como se estivessem numa missão importantíssima, quando na verdade estão correndo como ratinhos de laboratório sem saírem do lugar.


Fran Christy é formada em administração de empresas com especialização em planejamento estratégico. Fran vive em Seattle, EUA e escreve sobre desenvolvimento pessoal, produtividade e estratégias de vida.

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